Substâncias psicoativas em idosos

Publicado por gmcosta, em junho 11th, 2008

Estamos vivendo uma era onde o número de idosos no Brasil está crescendo muito pela estimativa de vida que a cada ano aumenta consideravelmente. Evidente que os problemas de saúde também não deixam de aumentar. O consumo excessivo de medicamentos, prescritos e não prescritos, é um problema preocupante no nosso país. Enquanto as drogas ilícitas registram uma progressiva diminuição com o aumento da idade das pessoas, as drogas lícitas e, particularmente, os medicamentos são consumidos em maiores quantidades.

Os efeitos indesejáveis dos medicamentos são muito mais visíveis nas pessoas mais idosas. A forma de eliminação dos remédios modifica-se com o envelhecimento, da mesma forma que também são observados modificações na sensibilidade dos receptores. De um modo geral, evidencia-se um aumento da sensibilidade à maioria dos medicamentos de acordo com o avanço da idade.: quanto mais as pessoas envelhecem mais a s suas reações aos medicamentos se modificam.

A maioria dos estudos epidemiológicos revela a diminuição do consumo de álcool com a idade. A tolerância já não é mais a mesma nesta faixa etária. Para alguns autores, o alcoolismo entre os mais idosos se verifica em vítimas de um contexto social que os isola. Nesta perspectiva o álcool adquire uma dimensão funcional, ao reduzir as angústias causadas pelas situações estressantes que estas pessoas experimentam: morte do cônjuge ou de outro membro da família, incapacidade laborativa ou doença, modificações nas condições de vida, preocupações financeiras, etc.

Muitas vezes é muito difícil diagnosticas o alcoolismo em pessoas da terceira idade. Vários sintomas que caracterizam a dependência alcoólica são igualmente resultantes do processo de envelhecimento, como por exemplo: os tremores de extremidades, o déficit de memória e a confusão mental. As pessoas idosas bebem, muitas vezes de forma solitária, tem poucos contatos com amigos ou com familiares e por isso só tardiamente esta hipótese diagnóstica é considerada. De acordo com alguns estudos estima-se que 2 a 15% das pessoas idosas possam ter problemas relacionados ao consumo de álcool.

O abuso de drogas ilícitas já é mais raro na terceira idade. Os dados epidemiológicos a respeito deste assunto são muito limitados. As substâncias consumidas por estes utilizadores são, no geral, a maconha, os opiáceos, a cocaína, e, às vezes, os alucinógenos. Verifica-se porém que a grande maioria desses consumidores apresentou, ao longo da vida, pelo menos um episódio de transtorno mental.

No que se refere aos medicamentos, foram identificadas numerosas modalidades pelas quais é possível derem feitas utilizações incorretas destes pelas pessoas idosas:

  • uso incorreto ou abuso, provocado por uma prescrição excessiva ou injustificada;
  • utilização incorreta ou abuso passivo, resultante do fato de não ter sido feita uma reavaliação da necessidade de prosseguir o tratamento;
  • opção de não procurar uma alternativa terapêutica não medicamentosa.

Os médicos de um modo geral deveriam ter muito mais cuidados no tocante às diferenças que se registram na farmacocinética das substâncias psicotrópicas nas pessoas de mais idade. Essencialmente, o abuso incide sobre os ansiolíticos, quer sedativos, quer hipnóticos; o consumo de substâncias psicotrópicas está, aliás, frequentemente associado ao abuso de álcool.

Quanto aos medicamentos de venda livre alguns estudos demonstram que as pessoas idosas consomem-nos numa quantidade cerca de quatro vezes maior que as pessoas das demais faixas etárias. Uma utilização demasiadamente freqüente de medicamentos psicotrópicos podem levar esses consumidores a uma dependência. A sensibilização dos médicos, dos farmacêuticos e dos próprios consumidores dessas substâncias, para este problema de saúde pública revelou-se muito mais eficaz para combate-lo.

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