Com esforço e perseverança tudo se alcança, diz o velho ditado. Mas cuidado: o excesso de trabalho e o stress prolongado podem causar a síndrome de burnout, provocando dores, irritação e depressão.
A enfermidade deve o nome ao verbo inglês “to burn out” – queimar por completo, consumir-se – e ao psicanalista Nova-iorquino Herbert J. Freudenberger, que a nomeou no início dos anos 70. Ele constatou em si mesmo que em sua atividade profissional, que tanto prazer lhe dera no passado, só o deixava cansado e frustrado. Também notou em muitos de seus colegas, antes apaixonados por seu ofício, a estranha mutação que os transformava em cínicos depressivos, capazes de tratar os próprios pacientes com crescente insensibilidade e desinteresse.
Ao voltar sua atenção para outras profissões, deparava sempre com os mesmos problemas: oscilações de humor, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, muitas vezes combinados com sintomas físicos como dor de cabeça ou problemas digestivos. Alem de dar nome à sua descoberta, Freudenberger definiu o burnout como “um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional”.
O fenômeno não é novo. O escritor alemão Johann Wolfang von Goethe (1749-1832) certo dia sentiu-se incapaz de suportar as pressões do ofício ministerial que desempenhava na corte de Weimar e, explicando temer o fim da inspiração poética, retirou-se para a Itália, aos 37 anos. Por sorte tinha um chefe tolerante, o duque Carlos Augusto. Ele chegou a intimar o subordinado a recuperar-se por completo e a só retornar quando sentisse a “energia poética” restabelecida em sua plenitude. A “licença prêmio” de Goethe estendeu-se por quase dois anos.
Jürdin Staedt, diretor da clínica de psiquiatria e psicoterapia do complexo hospitalar Vivantes, em Berlim, recebe com freqüência cada vez maior pacientes que não conseguiram pisar no freio a tempo. Mais de 15% dos que o procuram hoje com distúrbios de caráter depressivo são diagnosticados com a síndrome do esgotamento profissional. Não há, porém, estatísticas que comprovem o aumento. Na opinião do professor de psicologia do comportamento Manfred Schedlowski, do Instituto Superior de Tecnologia de Zurique (ETH), isso se explica pela dificuldade de diferenciar a síndrome de outros males. Até porque a maneira pelo qual ela se manifesta varia muito. “Uma pessoa apresenta dores estomacais crônicas, outra reage com sinais depressivos; a terceira desenvolve um transtorno de ansiedade de forma explícita”, explica Schedlowiski. Já foram descritos mais de 150 sintomas do esgotamento profissional.
Mesmo sem números concretos, de uma coisa os especialistas têm certeza: a pressão nos variados ambientes profissionais tem sido cada vez maior. “Nos últimos 10 ou 15 anos, principalmente nas grandes cidades, a vida tornou-se mais rápida e mais agitada. Hoje sentir-se estressado praticamente integra o cotidiano profissional”, constata Schedlowiski. Em si, a reação do stress é uma invenção sensata da Natureza, porque auxilia o ser humano (e todos os vertebrados) a enfrentar situações de perigo. Sem que tenhamos consciência, o cérebro percebe riscos potenciais e – por meio de um mecanismo ancestral, do ponto de vista filogenético – põe o corpo em estado de alerta numa fração de segundo. O problema é que mesmo sem estarmos diante de um urso enorme, mas apenas do chefe – que quer aquela apresentação pronta em meia hora -, nosso “programa de emergência” põe-se a funcionar do mesmo jeito: a glândula supra-renal secreta hormônios, o coração acelera, a pressão sobe. Até aí, tudo bem, contanto que adrenalina e outros estimulantes orgânicos não permaneçam na corrente sanguínea. Porém, se o stress perdurar por semanas, meses ou mesmo anos, conseqüências duradouras para o organismo estão pré-programadas também. Há tempos a ciência sabe que o stress crônico – denunciado pelo alto nível do hormônio cortisol – debilita o sistema imunológico e o corpo fica mais suscetível às infecções.
Fundamentalmente, não há órgão do corpo humano no qual agentes do stress não deixem sua marca. É por isso que um sistema hormonal em que permanente atividade é capaz de deflagrar inúmeros males da síndrome do esgotamento. “Em alguns, o stress prolongado repercute apenas na psique. Outros sofrem com sintomas físicos.” Por que é assim os pesquisadores não sabem dizer. “Bem, cada um tem seu ponto fraco”, afirma o psicólogo.
Aos cientistas, interessa mais outra questão: por qual motivo uma pessoa é capaz de, sem maiores problemas, suportar anos de atividade extenuante, agenda cheia e enorme pressão por resultados, ao passo que outra, sob a carga de trabalho objetiva e até menor, ameaça sucumbir? Embora a quantidade de trabalho seja um fator relevante, decerto não é o decisivo. “Se alguém enfrenta uma jornada de 12 horas diárias, mas, ao mesmo tempo, encontra um meio de relaxar, é muito provável que ela não tenha problema algum”, esclarece Staedt. “Por outro lado, é possível que um emprego de meio período seja percebido como estressante, conduzindo ao desenvolvimento da síndrome”.
Especialistas concordam que, por si só, uma jornada de 60 horas semanais não causa doença, contanto que se encontre o equilíbrio entre tensão e relaxamento. Pacientes afetados pela síndrome, entretanto, ultrapassaram muito a “fronteira da adaptabilidade às demandas”. Os sistemas internos de processamento do stress dessas pessoas sofrem de sobrecarga crônica.
Começa aí um calvário comum a muitos pacientes da síndrome do esgotamento profissional. A partir de certo ponto o trabalho começa a consumir tanto que outras necessidades não são levadas em conta. A dedicação exacerbada dá lugar a uma exaustão e a um desânimo freqüentes.
Ao mesmo tempo desaparece o interesse por outras pessoas; os contatos sociais vão se restringindo ao mínimo possível. Tratando-se da síndrome de burnout, essa tendência ao recolhimento é a regra, mas só faz piorar a situação. Cedo ou tarde a capacidade de desempenho dos portadores da síndrome se reduz. Eles não conseguem se concentrar, deixam de ter idéias criativas e até mesmo a memória é prejudicada. Muitos acabam por se tornar “esquecidos”. Os erros acabam se tornando freqüentes, começa a notar que já não está trabalhando direito a pressão é ainda maior, pressão esta interna, e tem início aí ao círculo vicioso.
Esse ainda não é o fundo do poço. O stress e a insatisfação consigo mesmo causam graves danos ao psiquismo. Os exauridos arrastam-se pelo dia de trabalho – resignados, desencorajados, atormentados por sentimentos de inferioridade e pelo medo do fracasso. Tentativas de suicídio não são raras. “Quem não consegue interromper o círculo vicioso, alimentado pela soma de demandas profissionais e demais exigências do cotidiano, pode colocar a própria vida em risco”, adverte Schedlowski. Quanto antes se procura ajuda especializada, maiores as chances de escapar. Pessoas que vão para o trabalho que antes as empolgava e ficam cada vez mais desmotivadas e estressadas devem examinar sua rotina e, a partir daí, procurar um profissional.
Infelizmente, os afetados são muitas vezes os últimos a perceber a situação crítica em que se encontram e relutam em buscar auxílio. Ninguém se esgota da noite para o dia. Ao contrário: as baterias falham tão devagar que muitos nem se quer registram as sutis alterações. Horas extras, turnos de fim de semana – tudo bem, trabalho não mata! Em algum momento, porém, a partida de futebol é cancelada. O jantar com o namorado fica para outro dia. A viagem com os amigos planejada há tempos é adiada. No trabalho tudo parece mais difícil: a dor de cabeça impede o profissional de se livrar da montanha cada vez maior de papel sobre a mesa.
Entre as pessoas em cargos de direção ou pequenos empresários que têm uma enorme carga de tarefas sob sua responsabilidade, predomina a crença equivocada na própria invulnerabilidade. Quem ocupa um cargo de comando está acostumado a superar desafios, vencer dificuldades, exibir alto desempenho até em momentos críticos – chegando a limites extremos. Muitos simplesmente se esquecem de que seres humanos precisam também de equilíbrio e repouso.
Staedt sugere uma comparação: “Quando a gente tem um carro, faz revisões periódicas e verifica com freqüência o nível do óleo. Pessoas que sofrem de esgotamento profissional não levam seu “carro” para fazer a revisão, rodam 100 mil Km a toda velocidade e, depois, espantam-se quando o motor entra em pane. Em relação a si próprias, renunciam à manutenção e aos cuidados”.
Onde há fogo, há de ter havido fumaça. Ainda que julgue um tanto inusitada a inversão do tão citado provérbio, ela se aplica, sobretudo, àqueles que se entusiasmam com seu trabalho, assumem responsabilidades, identificam-se com a própria atividade – pessoas para as quais a profissão é uma auto-realização. São médicos, psicólogos, professores, executivos, empresários, profissionais liberais em geral. Por isso, especialistas definem a síndrome como a doença do desempenho-mor.
É uma doença que reflete um desempenho crítico da sociedade. “Em nosso mundo, as pessoas se definem cada vez mais por sua capacidade de desempenho no trabalho, pelo sucesso profissional – e cada vez menos com base nas relações interpessoais ou nas atividades sociais”, comenta Staedt. É perigoso depreender toda a nossa auto-estima daquilo que somos capazes de realizar no trabalho. Muitos pacientes têm o que alguns psicólogos chamam de “estilo autoconfiante de personalidade”. “São como hamsters fazendo girar a roda, só ficam satisfeitos depois que conseguem atingir um número respeitável de giros. É assim que estabilizam o seu psiquismo”.
ELOGIAR É PRECISO
O desejo e a necessidade de ser sempre o melhor levam essas pessoas a uma altura cada vez maior na espiral do desempenho – até o ponto em que não é possível subir mais. Então, o sistema entra em colapso. O sentimento de que o mais elevado empenho profissional não é reconhecido a contento resulta numa crise de insatisfação e age como um fator adicional de stress. A medicina tradicional critica o fato de o elogio ter praticamente caído em desuso em muitas empresas. Em geral, se ninguém diz nada, é porque está tudo bem. No entanto, mesmo um retorno crítico seria melhor do que nenhum.
No caso do paciente vitimado pela síndrome do esgotamento, não funciona o bem intencionado conselho para que afrouxe as rédeas e desligue o computador. Quem deseja vencer a crise de modo duradouro precisa aprender que outras coisas, além do sucesso profissional, podem dar satisfação. É justamente daí que partem os terapeutas. Os “esgotado” devem se abrir para outras fontes capazes de nutrir sua auto-estima. Eis aí o objetivo – novos passatempos, encontros com os amigos, períodos em contato com a natureza, ouvir música, dançar, o que quer que lhes dê prazer e os faça relaxar. O importante é reerguer a vida sobre diversos pontos de apoio. O sucesso do método, porém depende principalmente da disposição do paciente de admitir que os princípios que orientaram sua vida até oi momento o fizeram adoecer e de se propor muda-los.
Aí está a questão, na opinião de Schedlowisk. “É preciso se livrar daqueles traços de personalidade que até funcionaram até então como garantia de sucesso profissional”. Trata-se de uma espécie de plano mestre, cuja origem muitas vezes remonta à infância dos esgotados executivos. “Quem, por exemplo, aprendeu logo cedo a ser sempre pontual e a fazer tudo com perfeição se beneficiará disso mais tarde”. Explica o psicólogo. Graças às virtudes adquiridas e exercitadas, certas pessoas vão bem no colégio e na universidade e, depois, na escalada rumo ao topo da carreira.
Isso pode prosseguir sem problemas até a aposentadoria. Ou, em dado momento, provocar uma reviravolta. Esse momento chega quando os pacientes já não conseguem corresponder com tranqüilidade e facilidade às demandas do trabalho e, sobretudo, às exigências que impõem o seu próprio desempenho. Poucos, porém, conseguem se livrar da sua receita de sucesso. Os propulsores internos seguem em plena atividade e, em fases de grande pressão externa, produzem ainda mais stress. Está aí a crueldade do esgotamento profissional: os princípios e as qualidades pessoais que levaram as pessoas adiante durante tantos anos de repente se voltam contra elas não lhes permite sair da roda-vida do stress.
Por isso a equipe de Zurique trata seus pacientes em vários planos. Em primeiro lugar, eles aprendem métodos para lidar melhor com situações estressantes, como exercícios voltados para a comunicação e técnicas de relaxamento. No treinamento individual, Schedlowski procura corrigir posturas que levaram os esgotados ao desastre.
Essa “correção do plano mestre” é a parte mais difícil da terapia, que se deve ao modo de funcionamento do cérebro: aquilo que se aprendeu desde cedo e se praticou durante anos fixa-se com firmeza. “Modificar princípios e comportamentos internalizados de maneira tão intensa demanda um treinamento que, de fato, leva algum tempo”, esclarece o psicólogo.
Jogadores profissionais de golf ou tênis conhecem o problema. Seu cérebro armazenou tão bem determinados movimentos que eles os realizam quase de forma automática. Se um tenista deseja modificar seu saque, necessita de um treinador para observá-lo e corrigi-lo. E precisa treinar, treinar mais, treinar muito para que o novo movimento possa ser aplicado com segurança no jogo. Mesmo que seja sob a pressão de uma final em Wimbledon.
Para os pacientes com síndrome do esgotamento profissional, a prova de fogo acontece em pleno jogo decisivo – o do trabalho. Não são poucos os que fracassam por subestimar a gravidade da situação. Na opinião de Schedlowski, são necessários quatro meses para uma terapia comportamental externa. Ao longo desse tempo, os pacientes precisam treinar sem cessar os novos padrões de comportamento e testa-los no dia-a-dia, da mesma forma como faz o tenista. O cérebro requer esse desempenho.
O tempo influi no prognóstico para o paciente. Quem, exaurido, arrasta-se por meses ou anos no trabalho, por vezes até o colapso total, prejudica as próprias chances de cura. É por esta razão que especialistas aconselham a levar a sério sinais de alarme como falta de vontade, cansaço, e exaustão, sobre tudo quando persistentes.
O melhor ainda seria, claro, não cair no círculo vicioso da autocobrança demasiada e da pressão interior. Os terapeutas suíços apostam na prevenção pela informação. “Na vida profissional de hoje, o stress é quase normal”, afirma Schedlowski. “Quando sabemos como nos proteger das conseqüências o risco do esgotamento é sempre menor”.
A regra número um é administrar com cautela nossos recursos físicos. As medidas anti-stress são simples e eficazes: alimentação saudável, exercício físico e uma boa noite de sono. Número dois: mesmo sobrecarregado, é preciso observar o equilíbrio entre tensão e relaxamento – é preciso haver equilíbrio entre trabalho e vida particular.
Cada um tem de encontrar seu próprio mecanismo de compensação do stress. Há pessoas que relaxam preparando-se para uma maratona; outras repousam curtindo música ou cuidando do jardim. O passatempo pouco importa – o que interessa é ter um. O mesmo vale para os contatos sociais. Seja entre amigos ou na família, é fato que as relações interpessoais protegem contra o esgotamento. De resto, quem se isola por causa do trabalho extenuante não terá mais ninguém a quem chamar numa emergência, quando vier a precisar de ajuda e companhia.
Schedlowski aconselha as vítimas do stress profissional a aprender uma técnica para relaxar – como ioga, meditação, treinamento autógeno ou relaxamento muscular. E a fazê-lo antes que precise dela com urgência, porque os primeiros sinais de esgotamento já se anunciam. O passo decisivo, no entanto, é dado na cabeça, constata o psicólogo: “Na vida profissional, é preciso adotar o mais cedo possível uma postura que dê à saúde e ao bem-estar psíquico no mínimo a mesma importância atribuída à ascensão na carreira”.
AS FASES DO ESGOTAMENTO
A síndrome do esgotamento profissional não ocorre da noite para o dia: desenvolve-se lentamente, por um longo período. O pesquisador Herbert Freudenberger, pioneiro no estudo da doença, e sua colega Gail North dividiram o esgotamento em 12 estágios. Eles não ocorrem necessariamente na seqüência indicada. Muitas vítimas saltam uma fase, outras vêem-se em várias delas ao mesmo tempo. A duração de cada etapa também varia de pessoa para pessoa.
1. NECESSIDADE DE SE AFIRMAR
No começo verifica-se com freqüência uma ambição exagerada. Ânsia por fazer as coisas, interesse e desejo de se realizar na profissão transforma-se na obstinação e na compulsão por desempenho. É preciso constantemente provar aos colegas – e, sobretudo, a si mesmo – que faz o trabalho muito bem e que é plenamente capaz.
2. DEDICAÇÃO INTENSIFICADA
Para fazer jus às expectativas desmedidas, vai-se um pouco além e se intensifica a dedicação. Delegar tarefas torna-se cada vez mais difícil. Em vez disso predomina o sentimento de que tem que fazer tudo sozinho, até para demonstrar que é imprescindível.
3. DESCASO COM AS PRÓPRIAS NECESSIDADES
Praticamente todo tempo disponível é reservado para a vida profissional. Outras necessidades como dormir, comer ou encontra-se com amigos são descartadas como fúteis. Atividades de lazer perdem o sentido. A pessoa justifica para si mesma a renúncia como desempenho heróico.
4. RECALQUE DE CONFLITOS
Percebe-se que alguma coisa não vai bem, mas não se enfrenta o problema. Confrontá-lo pode deflagrar uma crise e, por isso, o problema é visto como ameaça. Os primeiros problemas físicos começam a aparecer.
5. REINTERPRETAÇÃO DOS VALORES
Isolamento, fuga dos conflitos e negação das próprias necessidades modificam a percepção. O que antes era importante, como amigos ou passatempos, sofre uma completa desvalorização. A única medida da própria relevância e da auto-estima é o trabalho. Tudo o mais é subordinado a esse objetivo. O embotamento emocional é visível.
6. NEGAÇÃO DOS PROBLEMAS
O principal sintoma dessa fase é a intolerância. Os outros são percebidos como incapazes, preguiçosos, exigentes demais ou indisciplinados. Predomina os sentimentos de que os contatos sociais são quase insuportáveis. Cinismo e agressão tornam-se mais evidentes. Eventuais problemas são atribuídos exclusivamente à falta de tempo e à jornada de trabalho e não à transformação pela qual está passando.
7. RECOLHIMENTO
Os contatos sociais são reduzidos ao mínimo. Vive-se recolhido, com a crescente sensação de desesperança e desorientação. No trabalho “faz-se o estritamente necessário”. Nesta fase, muitos recorrem ao álcool e às drogas.
8. MUDANÇAS EVIDENTES DE COMPORTAMENTO
Agora, é impossível para os outros não perceber a transformação pessoal. Os outroras tão dedicados e ativos revelam-se amedrontados, tímidos e apáticos. Atribuem à culpa ao mundo a sua volta. Interiormente, sentem-se cada vez mais inúteis.
9. DESPERSONALIZAÇÃO
Nessa fase, rompe-se o contato consigo próprio. Ninguém mais parece ter valor, nem o próprio afetado nem os outros, as necessidades pessoais deixam de ser percebidas. A perspectiva temporal restringe ao presente. A vida é rebaixada ao mero funcionamento mecânico.
10. VAZIO INTERIOR
A sensação de vazio interior é cada vez mais forte e mais ampla. A fim de superá-la, procura-se nervosamente por atividades. Surgem reações excessivas, como intensificação da vida sexual, alimentação exagerada e consumo de drogas e álcool. Tempo livre é tempo vazio, entorpecido.
11. DEPRESSÃO
Aqui, síndrome do esgotamento equivale a depressão. A pessoa se torna indiferente, desesperançada, exausta e não vê perspectivas. Todos os sintomas dos estados depressivos podem se manifestar, desde a agitação até a apatia. A vida perde o sentido.
12. SÍNDROME DO ESGOTAMENTO PROFISSIONAL
Esse estágio corresponde ao total colapso físico e psíquico. Quase todos os afetados pensam em suicídio e não são poucos os que a ele recorrem. Pacientes nesse estado constituem casos de emergência: precisam de ajuda médica e psicológica o mais breve possível.
Fonte bibliográfica:
Revista Mente e cérebro – Ano XIV n° 161
olá, evander. estou num quadro de síndrome de bournout. sou professora, atuando como professora orientadora numa escola de educação infantil e 1º ano de escolaridade. já trabalho ha 11 anos no município, onde desempenhei diversas funçoes como professora, algumas muito frustrantes. o mais curioso é que amo educação e gosto do ofício de educar.
concordo com quase tudo o q vc fala ai no seu texto, mas, talvez, o que vc chama de “ambição exagerada”, seja, na realidade, uma “necessidade exagerada” de acertar ou de cumprir o seu papel a contento de um sistema, por exemplo. não acho que ambiçao e desempenho de uma função de forma inadequada sejam a mesma coisa. pq qdo vc não “rende” e as vezes até qdo rende é comparado e desvalorizado,veladamente, bem a conta-gotas.
desculpe-me a franqueza, mas acho que a generalização não é mt apropriada.
obrigada pela atenção.
abraço.
keli
dezembro 23rd, 2008 em 11:32 pm
Kelia, obrigado por sua presença no meu site e pelo interesse no assunto em questão. Assim como você eu também me interessei e procurei pesquisar algo simples de ser entendido. O que achei mais acessível como fonte de pesquisa foi a revista citada como fonte bibliográfica. Por isso nem todos os termos utilizados foram definidos por mim. De qualquer forma é sempre positivo ouvir críticas construtivas principalmente partindo de pessoas esclarecidas como você.
Abraços!
Evander.
dezembro 24th, 2008 em 6:12 pm
Ola amigo! Nao sou de ficar fazendo comentario, mas eu queria parabeniza-lo pelo otimo site que voce tem! Continue com esse otimo trabalho!
fevereiro 22nd, 2009 em 3:11 pm
Oi Luiz! Obrigado mesmo pelo incentivo. Se puderes divulgar a outras pessoas, com certeza conseguirei mantê-lo ativo e podendo ajudar mais e mais pessoas!
Abraços!
Evander.
fevereiro 22nd, 2009 em 7:33 pm
Olá. Li o artigo e acho que eu estou nesta situação. Qual é o profissional certo para tratar desta doença? Aqui em SP tem algum profissional especializado em que eu possa ir?
abril 29th, 2009 em 1:06 pm
Boa Noite Madalena! Se você se identificou com o transtorno e sua sintomatologia, procure ajuda. Vários são os profissionais que podem ser consultados: Um médico do trabalho, um psiquiatra ou até um clínico geral que pode depois estar fazendo novo encaminhamento. Além desses profissionais é muito interessante estar fazendo um acompanhamento psicoterápico para aprender a lidar com certas situações que estão provocando o surgimento do problema. Como sou de SC não sei te dizer qual profissional é qualificado para fazer esse atendimento aí em São Paulo. Mas certamente devem haver muitos. Basta informar-se a respeito e procurar ajuda o mais rápido possível. Os conselhos profissionais podem lhe dar esse tipo de informação!
Abraços!
Evander.
abril 29th, 2009 em 9:40 pm
Olá. Li o artigo EU ADOREI
TO FAZENDO UM TRABALHO DE CONCLUSAO DE CURSO, NO QUAL VOU FALAR DE BURNOUT EM PROFESSORES, GOSTARIA DE SABER SE HA ALGUM MATERIAL QUE VC POSSA ME ENVIAR PARA ME AJUDAR NA MONTAGEM DA MINHA MONOGRAFIA.
GRATA
ANA
junho 3rd, 2009 em 9:10 pm
Ana Boa Noite! Eu sempre me interessei por esse assunto apesar de não ser minha especialidade. Mas como peguei alguns casos em psicoterapia, resolvi fazer uma pequena pesquisa e escrever o artigo para que eles pudessem ler. E até que foi bem aceito, mas na realidade minha especialidade é dependência química e não tenho muitas coisas a respeito desta síndrome. Acredito que em livrarias especializadas você pode estar encontrando algo mais aprofundado!
Abraços!
Evander.
junho 4th, 2009 em 12:43 am
Olá Evander, Bom dia.
Estou preparando aulas de Química orgânica (ensino médio) enfocando os efeitos das susbstâncias no organismo, principalmente drogas. Me deparei com seu artigo e fiquei atônita! Já conhecia, por comentários de colegas, o assunto da síndrome, mas como vc sabiamente relatou no texto, temos a tendência de achar q não está “acontecendo” conosco. Já procurei médicos (clínico geral/reumatologista) e recebi diagnóstico de Fibromialgia grave. As dores generalizadas são tão fortes q perco a fala. Choro só de pensar q vou para o trabalho todos os dias e nada na minha função me dá mais prazer.Estou no limite. Mas, há luz no fim do túnel(pena q é um túnel mto comprido…rs). Encontrei forças para batalhar e buscar caminhos alternativos na profissão, mudando radicalmente as propostas de trabalho e procurando outras atividades q preservem a minha vida. Parabéns pela sua capacidade de síntese, e de tornar o texto de um assunto complexo prazeroso de ser lido. Um grande abraço.
junho 6th, 2009 em 1:42 pm
Boa Noite Janaína! Fico contente que você gostou do texto! Realmente esses artigos precisam ser simples, e bem sintetizados para que os leitores tenham informações rápidas, precisas e “entendíveis” rsrsrs. Mas de fato essa síndrome não é facilmente diagnosticada. E se realmente você sofre com fibromialgia aguda, concerteza o problema se agrava. Por isso existe a necessidade de se fazer um bom diagnótico e um acompanhamento multiprofissional para amenizar a síndrome e em consequência sofrer menos com os sintomas da fibromialgia. Não desista! Conheço casos que eram extremos e hoje levam uma vida 100% melhor do antes dos tratamentos!
Boa Sorte! Abraços!
Evander.
junho 6th, 2009 em 7:46 pm
Olá Evander, Boa noite!
Amei a clareza o seu texto, pois falar da Sindrome de Burnout com tão pouco material de pesquisa não é nada fácil. Parabéns! Você contribuiu muito para o meu aprendizado e com certeza de muitas outras pessoas. Como se não bastasse, gostaria de ler alguma coisa sobre as consequencias da sindrome no processo ensino aprendizagem da educação infantil. Tem algumas coisa? Pode me ajudar?
Um abraço!!!!!!!!
junho 24th, 2009 em 10:52 pm
Bom dia Lucia! Primeiramente obrigado pelo seu comentário e pela sua visita no meu site. Eu desconheço essa síndrome no diagnóstico infantil. Sei que muitas famílias sobrecarregam seus filhos com muitas atividades que acabam gerando stress, depressão e queda no rendimento escolar. Mas aí não tratamos desses casos com o diagnóstico dessa síndrome, e sim um trabalho de orientação e reeducação familiar, já que muitos pais acabam transformando seus filhos em mini-executivos que têm a necessidade de ter horário agendado até para brincarem.
Abraços!
Evander.
junho 25th, 2009 em 10:10 am
Boa noite Evander!
Obrigado por ter respondido, mas gostaria de saber quais os prejuizos para os educandos da educação infantil que tem um professor vitima de sindrome de burnout no cotidiano da sala de aula?
Um abraço!
junho 28th, 2009 em 1:10 am
Sou Acadêmica de Enfermagem e escolhi este título para fazer a minha monografia, você poderia me ajudar passando algumas ref. bibliográfica, pois as que tenho e muito repetitivas.
Desde já grata.
setembro 24th, 2009 em 11:35 am
Boa Tarde Annelice! Este texto que escrevi sobre essa síndrome elaborei com alguns materiais que eu tinha, além do trabalho que fiz com alguns pacientes. Na realidade esta não é a minha especialidade e eu não disponho de livros específicos sobre esse tema que eu possa estar passando a bibliografia. A síndrome de burnout, identificada na década de 1970, caracteriza-se por uma tríade de dimensões (exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal) e é uma condição relacionada à organização do trabalho. Entretanto, não consta nas classificações psiquiátricas.
Abraços!
Evander.
setembro 24th, 2009 em 6:24 pm
Pelo amor de DEUS me ajude, faço trtamento há cinco anos e o médico diz que eu só tenho depressão, mas sei que não é só isso, lendo o texto acima parecia estar me vendo, o que faço para ter o diagnóstico certo? não quero dizer que ele esteja errado, mas que exames eu preciso fazer para que ele veja que posso ter esta sindrome. Até meu ciclo menstrual mudou, fico internada com hemorragia quando chegam minhas regras. Não consigo nem passar em frente ao lugar onde eu trabalhava, fico até tres noites sem dormir, fiz uma polissonografia no instituto do sono, o que eu faço, quem devo procurar. me ajudem, ´pois não saio de casa pra nada, até as consultas médicas estou perdendo, por não ter força pra ir. O email acima é do meu esposo. obrigada
novembro 4th, 2009 em 1:25 am
Bom dia Valdete! O diagnóstico dessa síndrome é clínico, isto é, a análise dos sintomas leva o médico a determinar a doença. Não existe um exame específico para se fazer esse diagnóstico. Muitos profissionais podem confundir os sintomas dessa doença com as de outra já que uma boa parte deles está presente em várias delas. Por isso a importância do diagnóstico diferencial. O médico ideal para este tipo de diagnótico seria um psiquiatra ou um médico do trabalho. Mas o tratamento deverá ter a intervenção de um psicólogo que possa estar dando suporte ao tratamento médico. A ação tem que ser em conjunto para que a remissão dos sintomas seja mais efetiva, e depois fazer somente o tratamento de manutenção.
Se você se identificou com essa síndrome pode fazer uma referência ao profssional que lhe atender dizendo que desconfia estar sofrendo dessa doença. Se ele for aberto o suficiente vai investigar a situação e fazer o diagnóstico. Há aqueles porém que ficam irritados com o “suposto diagnóstico” do paciente. Eu procuro levar em consideração que não existe melhor médico do que meu próprio paciente. E muitas vezes somo falíveis e também erramos!
Abraços! Vamos à luta!
Evander.
novembro 4th, 2009 em 9:46 am
Evander, quero parabenízá-lo pela divulgação de um problema de saúde pública muito importante, que ainda não é conhecido por muitos. Sou enfermeira e estou fazendo minha monografia da pós em Enfermagem do trabalho sobre o assunto. É importante divulgar que muitas pessoas confundem o estresse com a sindrome de Burnout, no entanto, estresse é um esgotamento pessoal que interfere na vida do indivíduo, mas não necessariamente, em sua relação com o trabalho. Tem a ver com fatores externos. A Bturnout se dá pelo elevado nível de estresse externo que se não for amenizado com programas de qualidade de vida na empresa, podem levar o profissional ao estado de esgotamento físico e mental.
novembro 29th, 2009 em 12:49 pm
Evander venho agradecer pela resposta e pedir-lhe mais uma ajudinha, dentre os meus estudos encontrei que a primeira vês que a SB foi estudada era com o nome de staff burn-out pelo Brandley em 1969, sendo que não esncotro nada referente a essa pessoa e nem como se deu o estudo. Você tem como me ajudar?
Desde já grata.
dezembro 7th, 2009 em 9:20 pm
Boa Noite Annelice! esse sujeito deve ter livros escritos. Mas encontrei esses artigos, e quem sabe algum deles possa te ajudar: http://www.fag.edu.br/tcc/2008/Enfermagem/a_incidencia_de_sintomas_caracteristicos_para_o_desenvolvimento_da_sindrome_de_burnout_em_profissionais_de_enfermagem.pdf
http://www.revispsi.uerj.br/v8n3/artigos/html/v8n3a03.html
http://www.interfisio.com.br/index.asp?fid=348&ac=1&id=0
http://www.saudeetrabalho.com.br/download_2/burnout-prof-universitario.pdf
http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=2806
Nesses trabalhos certamente encontrarás bibliografias que poderão te auxiliar. Pesquise no google com vários temas e certamente encontrarás algo que poderá te ajudar!
Abraços!
Evander.
dezembro 7th, 2009 em 11:54 pm
Venho apresentando episodios depressivos há algum tempo, ao final 2008, com o falecimento de meu pai, após anos de tortura não só para ele como para todos da família. Percebi que minha depressão entrara num estágio até então não percebido, passei a ter vontade constante de morrer, embora não fosse o que queria. Sou professora, afastada por sindrome de bournot, porém só tive conhecimento desta sindrome, quando em uma das minhas licenças, meu médico colocou sb como diagnostico. Li achei que tudo estava de acordo com o que sentia. Somente, agora, em dezembro, senti necessidade de conhecer mais sobre esta sindrome. O que mais me assusta é a constante tristeza, vontade de isolamento e morte como solução. Tenho uma familia maravilhosa que me da apoio, meu marido que percebeu minha doença, me tirou de sala de aula. Faz um ano e meio que me encontro afastada, mas não sinto vontade alguma em voltar a trabalhar, pra falar a verdade não sinto vontade de nada, somente de ficar deitada e quieta, há horas que a buzina, o trem, o choro, vozes qualquer som me irrita. Estou sendo medicada, já tive crises piores a ponto de não dirigir por ter vontade de jogar o carro contra um morro. São sensaçoes horriveis.O pior é o que os colegas de trabalho falam. Numa de minhas escola, tres professoras, inclusive, eu estamos afastadas pelo mesmo problema. Uma colega, vice-diretora, ao me encontrar criticou uma de minhas colegas dizendo “VÊ, se fulana está com depressão tendo aquele corpinho sarado” , a depressão dela está ligada à anorexia.E muitos outros comentarios maliciosos seja na escola X ou na escola Y, não importa o lugar
o problema está na maldade humana. Obs. Sempre gostei de ser professora, adoro trabalhar com meus alunos, sempre sinti um carinho especial por cada um, porem cansei de ser humilhada, por alunos insensiveis, colegas mal resolvidos, diretor recalcado,o estado tirando tudo, inclusive, a alma da gente.
Adorei a sua página, gostaria de propor um site em que nós, professores, pudessemos expor nossas situação atual. Trabalho no estado de São Paulo e estado do Rio de Janeiro, pois minha cidade faz fronteira com o estado de SP, não vejo um pingo de respeito pelos professores por parte de nenhum dos estados, principalmente por SP.
dezembro 27th, 2009 em 1:28 am
Bom dia Rosemeire! Seu relato é de muita importância e só vem enriquecer meu artigo e consequentemente meu site. Acho importante mesmo haver organização entre a sua classe com relação a este problema que está assolando muitos professores por todo o país. Não é só no seu estado. Você não foi a primeira professora a fazer esse tipo de relato aqui nas minhas páginas. Se quiserem usar meu site como forma de manifestação fiquem a vontade. Ah! Sugiro que além de tratamento medicamentoso você procure auxílio psicológico. Seus sintomas são sim de depressão. Até porque a depressão é sempre uma comorbidade associada a S.B.
Abraços! Disponha sempre!
Evander.
dezembro 27th, 2009 em 11:09 am