Embora o uso de drogas faça parte hoje do nosso ambiente e se apresente como um dos maiores problemas que nossa sociedade tem necessidade de atacar, ele foi também na história da humanidade, uma preocupação constante. Das oitocentas mil plantas que constituem o mundo vegetal, umas sessenta eram conhecidas pelos primeiros homens devidos aos seus poderes. Elas têm então diversas funções ligadas entre si: ao favorecer a “viagem”, o êxtase e o contato com os poderes superiores, são o veículo das primeiras religiões, a fonte de um prazer ligado a um passado e ao secreto. Enquanto medicamentos curam males e os sofrimentos do corpo; enquanto veneno arrisca-se a arrastar o homem para a degradação e a morte.
Com o surgimento do homem, surge também o uso de certas substâncias cuja função não é alimentar, mas, dar um estado passageiro de euforia e conforto, uma impressão de acréscimo ao seu bem estar. Desde os tempos mais remotos, os homens reconheceram esta propriedade singular nas bebidas alcoólicas e em algumas plantas usadas até hoje com um objetivo idêntico.
A descoberta pelos povos primitivos de que certas plantas podiam ter propriedades excitantes é o suficiente para revelar que através do domínio da natureza as populações primitivas já não se contentavam com a simples alimentação, mas pelo contrário, tomaram gosto pelo uso de certas substâncias artificiais que alteravam as funções do sistema nervoso.
Os egípcios conheciam a papoula de onde se extrai o ópio, que utilizavam ao mesmo tempo como medicamento e como veneno. Recorriam igualmente ao meimendro (planta medicinal da família das solanáceas), esta erva de cavalos, ou ainda à “erva de galinhas”, administrada como calmante, e cujas propriedades narcóticas e tóxicas foram atualmente postas em evidência. No Egito o cânhamo (indiano) já era muito utilizado. Na sociedade egípcia as pessoas usavam drogas para esquecerem as preocupações cotidianas, a fome e a fadiga, talvez também para se aproximarem dos deuses, visto que ela era consumida sob o controle ou mesmo a injunção dos sumo-sacerdotes.
Entre os Assírios, povo que ocupava a parte média da bacia do Tigre, o cânhamo faz parte da liturgia: era preciso consumi-lo para adorar Assur. Tão longe quanto podemos chegar, as civilizações que entre o V e o I milênio a.C., se desenvolvem nesta região (atualmente chamada Oriente Médio), apreciaram os benefícios de certas substância vegetais.
Foi o Oriente que, em primeiro lugar, descobriu a incontestável eficácia destas plantas face à doença. Os textos hindus trazem a prova disso: eles tratam não somente do cânhamo, que é o apanágio dos religiosos, favorecendo a meditação, mas também do soma, a droga que provoca crises e alucinações, e da Rawwolfia serpentina, o “medicamento do sono de criança”, que acalma a loucura e traz o apaziguamento.
Os Sumérios, que viveram cinco mil anos antes de Cristo numa região próxima do golfo Pérsico, foram os primeiros a deixar-nos os seus testemunhos sobre esta relação íntima, estranha e fascinante dos homens com as drogas; nas suas tabuinhas, há um ideograma que designa o ópio: era para eles sinônimo de alegria e de regozijo.
Heródoto evoca em vários dos seus escritos as virtudes terapêuticas do ópio. Hipócrates iniciador da observação clínica preferia recorrer a tratamentos simples. Ele preconizava: “Deixem à natureza agir”, mas reconhecia que se pode aliviar o mal graças ao ópio. Na Odisséia, Homero dá-nos o segredo de Helena: ela dá a Telêmaco uma bebida de gosto desagradável que lhe permitia esquecer a sua dor e a sua infelicidade. Certamente, ninguém conhece a composição desta solução, mas pode-se dizer que se parece com o suco de ópio de que falará bem mais tarde, no século III século a.C., o filósofo Teofrasto.
Os Romanos conheciam igualmente a papoula e o ópio. O poeta Virgíliso fala deles na Eneida e nas Geórgicas. Plínio, o Antigo, autor de uma vasta enciclopédia de história do seu tempo, A História Natural, explica mesmo como se pode obter ópio a partir da papoula.
Galeno, o primeiro médico moderno, influenciou todas as ciências médicas desde o século II ao XVII da nossa era. No que se refere à terapêutica, faz referência à teriaga (preparação farmacêutica de uso comum contra as mordeduras de serpente) que não comportava menos de setenta ingredientes: se o mel espesso lhe dava a consistência, o fundo era constituído pelo ópio.
No Ocidente, na alvorada da Idade Média e desde há muito tempo na Grécia Antiga e em Roma, o álcool e, sobretudo os vinhos tinham todas as honras.
Pô cara, massa esse site!
eu preciso dessas informações pra fazer um trabalho
de escola, vo tirar 10 \õ
UIOSAUIOSUIOASUIOA, adoreei²
setembro 5th, 2009 em 6:27 pm
Queria saber como trabalhar a disciplina de história com esse tema:drogas
novembro 24th, 2009 em 3:00 pm
Boa Tarde Sérgio. Sua idéia é perfeita. Porém, apesar de ser licenciado em psicologia nunca lecionei. Meu trabalho está todo focado na área clínica/hospitalar. O ideal seria trocares algumas idéias com um professor de didática. Pra isso seria interessante ter um perfil de cada turma e escolher o melhor método de trabalho. Neste sentido, por não ser minha área de atuação não saberia te ajudar!
Abraços!
Evander.
novembro 24th, 2009 em 3:14 pm
UAU
Adorei suas publicações, estou pesquisando muito sobre o assunto para fazer um trabalho de conclusão de curso em Psicologia.
Seus artigos são muito bons.
Amei,
Parabénsa pelas publicações.
março 26th, 2010 em 12:23 pm