O diagnóstico é clínico. Abaixo segue os critérios para o mesmo conforme o DSM-IV de 1994.
Presença de obsessões ou compulsões.
Obsessões definidas por:
- Pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que, em algum momento durante a perturbação, são experimentados como intrusivos e inadeqüados, e causa acentuada ansiedade ou sofrimento.
- Os pensamentos, impulsos ou imagens não são meras preocupações excessivas com problemas da vida real.
- A pessoa tenta ignorar ou suprimir tais pensamentos, impulsos ou imagens, ou neutralizá-las com algum outro pensamento ou ação.
- A pessoa reconhece que os pensamentos, impulsos ou imagens obsessivas são produto de sua própria mente (não imposta a partir de fora, como na inserção de pensamentos).
Compulsões, definidas por:
- Comportamentos repetitivos (por ex.:, lavar as mãos, organizar, verificar) ou atos mentais (por ex.: orar, contar ou repetir palavras em silêncio) que a pessoa se sente compelida a executar em resposta a uma obsessão, ou de acordo com regras que devem ser rigidamente aplicadas.
- Os comportamentos ou atos mentais visam a prevenir ou reduzir o sofrimento ou evitar algum evento ou situação temida; entretanto, esses comportamentos ou atos mentais não têm uma conexão realista com o que visam a neutralizar ou evitar ou são claramente excessivos.
Em algum ponto durante o curso do transtorno, o indivíduo reconheceu que as obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais. Isso não se aplica a crianças.
As obsessões ou compulsões causam acentuado sofrimento, consomem tempo (mais de uma hora por dia) ou interferem significativamente na rotina, funcionamento ocupacional (ou acadêmico), atividades ou relacionamentos sociais habituais do indivíduo.
A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex.:, abuso de drogas, medicamentos) ou de uma condição médica geral.
COMO O TOC EVOLUI QUANDO NÃO TRATADO
O TOC é uma doença crônica, que pode evoluir com períodos de melhora e piora ou com sintomas contínuos, variando de intensidade. A maioria dos pacientes demora alguns anos até receber o diagnóstico correto, tanto como conseqüência de desinformação como por vergonha de se expor aos profissionais de saúde, entre outros fatores. O prognóstico parece variar em função da idade de início dos sintomas (o início precoce parece estar relacionado a uma pior resposta ao tratamento), tipos de sintomas apresentados, associação com outros diagnósticos psiquiátricos e presença de fenômenos sensoriais. Acredita-se que um terço dos casos tenha curso episódico, ou seja, fases de melhora e piora ao longo do tempo.
PREVALÊNCIA DO TOC NO BRASIL E NO MUNDO
Estudos realizados em diferentes continentes e culturas, inclusive no Brasil, apontam para uma prevalência do TOC de 2,5% ao longo da vida. Ou seja, 25 em cada 1000 pessoas sofrem com obsessões e/ou compulsões em algum momento das suas vidas. O TOC é o quarto transtorno psiquiátrico mais freqüente na população, vindo atrás das fobias, dos transtornos do humor (depressões) e das dependências químicas. Ele acomete ambos os sexos igualmente com exceção dos casos de início na infância, quando é mais comum no sexo masculino, e é mais freqüente a ligação genética ao transtorno de atenção e hiperatividade e Síndrome de Tourette. Isso reforça ainda mais a necessidade de se fazer um diagnóstico e encaminhamento terapêutico adeqüados.
BIBLIOGRAFIA
TOC CONSENSO-Texto elaborado pelo Projeto Transtornos do Espectro Obsessivo Compulsivo-PROTOC do Instituto de Psiquiatria da FMUSP.